sexta-feira, 30 de junho de 2017

Devemos nos atualizar e então...





Meninos e meninas, meus contemporâneos de 90 anos e mais...

Vamos nos esforçar para não nos isolarmos da humanidade, isto é, do caminho dos nossos queridos, sejam eles dos nossos queridos, sejam eles nossos familiares ou amigos e, porque não, sejam eles somente conhecidos.

Isto é muito importante, pois nesse “estar junto” temos a  oportunidade de adquirir mais conhecimentos e, assim, nos atualizarmos para ficar aptos a compreender melhor esta linda juventude que nos rodeia.

Procurem então ler mais jornais diários, pois assim teremos eu e vocês mais chances de iniciar conversas interessantes os mais jovens. O celular, a internet motivaram-nos a adquirir mais informações, também, e então vamos à luta!

Eu comecei a pensar nisto tudo há algum tempo e então percebi que, agindo desta forma, as minhas conversas com os outros tornaram-se mais fáceis e mais originais – tais como EU com 96 anos me surpreendi falando com amigos e parentes, dando a minha opinião sobre  a polêmica “parada do orgulho gay”... Vocês, meus contemporâneos, não acham isso fabuloso?

Continuo afirmando que nós devemos viver up to date neste 2017 e assim seremos aceitos por todos!

Com delicadeza, alegria e consideração!

Abraços e beijos a todos que lerem este texto!

Nida.








NIDA DEL GUERRA FERIOLI (96 anos) é Conciliadora e Mediadora de Conflitos (formada em 2014);  Professora de italiano; Autora dos livros “Vivendo a Vida” e "Le Ricordanze" . Colunista do “Papos de Anjo”, na página literária Boca a Penas (BAP).
É mãe de Eliane, avó de Marcello e Valeria e bisavó de Thais e Maitê.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O sol que fraqueja


RESENHA de Paulo Bentancur (in memorian)




escorrego
viscosa fruta
decompõe
daqui vejo asas em formação
remota palavra
presa nos dentes.



O sol da tarde, de Adriana Aneli, é um livro que escapa, com movimentos lentos, mas densos (tensos), das diversas tendências da poesia contemporânea brasileira. Tem, a provar sua singularidade, uma atmosfera imersa em silêncio, em gestos que ora provam o imenso desafio do amor, ora provam que ele está à prova.

O corpo da protagonista (que só protagoniza em si mesma aquilo que para o compartilhamento sempre terá muito de segredo) vive a sensorialidade plena de um desejo imerso na hesitação.

Inquieta, no entanto paralisa seus gestos para assim dar-se na hora que é chegada. Essa hora parece não vir nunca. A réstia de sol, fresta de luz que não se distancia de um frio metafórico e nem por isso menos real, anuncia que as possibilidades ainda não se acabaram. Mas trata-se de um querer onde há medo e nesse medo há mais querer. Cada poema parece seguir ao outro, e assim tal lírica revela-se no conjunto completo do livro, e não só poema a poema. Embora, claro, cada poema é um artefato em si, escrito num ritmo sussurrado – e atônito.

Sintética, elíptica, a poeta mostra-se numa sintaxe capaz de chegar ao estranhamento, esse efeito capaz de causar no leitor uma espécie de grave encantamento. Grave no sentido de profundo, porque quase verso a verso temos uma cena que sobretudo aqui nega-se a qualquer evidência.

O leitor que a busque no poema. Embora ainda seja cedo, eu ousaria afirmar sobre seus versos expressões como “singular”, “inusitados”, “dicção imprevisível”, “sintaxe entre um intimismo inconfessável e um desmoronamento do discurso” e “poema em fuga”. 

O livro conta uma história, e é dividido em duas partes, cada uma associada à sua epígrafe. Num dos poemas (“mas quando vem”), a esquecida e enlouquecida Camille Claudel é personagem que poderia assumir o discurso poético, amoroso. O desfecho traz à tona um desespero inconsciente, rindo mesmo frente à iminência do risco.

Alquimia entre a transpiração (o suor emocional) e o gozo, numa dicção que jamais a torna explícita, o projeto é extremamente ousado e de uma delicadeza única.


Paulo Bentancur.... em dezembro de 2014.


Leia gratuitamente o livro aqui.